sexta-feira, 9 de julho de 2010

Paradigmática ou Metafísica?



Não. Não podemos dizer que não existe equivalência no positivismo já que a negativa da negativa resulta em uma não negativa. Quando digo que não, não é verdadeiro, de fato digo que é verdadeiro. Quando digo não é verdadeiro tenho apenas valores contrários. Quando digo é verdadeiro não tenho somente valores afins; mas a referencia a uma existência e o existente a que se refere. Articular é também, simultaneamente como queiram, contrastar. Há aí mais dialética do que supomos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Anfibologia semântica existe?

Tenho ouvido já faz algum tempo a seguinte frase do Bob Marley: "A maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la".
A frase incomodou-me: Um homem pode despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de despertar esse amor nessa mulher e continuar sem ter a intenção de amá-la. Pode acontecer como acontece! Vamos taxar esse inocente de covarde?


Alguém dirá que o sentido da frase é o de que esse hipotético, e por consequência patético homem,
intencionalmente desperta o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la. Bem nesse caso estamos falando de um psicopata. Mantido o sentido e não se tratando de um psicopata, certamente as intenções desse "homem" são outras como dar o golpe do baú, alferir alguma vantagem de algum tipo ou então trata-se de um cretino, tipo facilmente identificável, mas que no caso também tem uma intenção por mais cretina que esta seja. Penso que pior do que um cretino é um hipócrita que reprime o que sente por força de uma situação moral que insiste em manter ou de vínculos sociais que respeita. Talvez fosse o caso do sujeito, sem ser cretino, mas libertino, despertar o amor de uma prostituta. Mas aí seria um acidente de trabalho. Seria também o caso uma mulher despertar o amor de um homem sem ter a intenção de amá-lo?


Para ser sincero a frase do Bob Marley cheira a machismo e ignorância literaria. Homens e mulheres se encontram e o amor surge inesperadamente. Pode ou não haver correspondência. Essa paixão pode ser imediata ou acontecer a medida em que um passa a conhecer o outro. Pode também acontecer o contrário, ou seja, haver antipatia de um ou de outro ou de ambos, casos em que alguns dizem ser indicação de paixão imediata e fulminante. Apaixonei-me a dois anos atrás por acaso. Deixei claro o que ainda estou sentindo e o que penso. Pedi respostas discretas, mas não obtive êxito. Até fiquei doente! Sei que é; ou era, ricíproco... Como a situação não era simples, ao contrário, tudo pareceu muito confuso, fez a diferença o padronizado. Além disso, tirando poucos apoios, contou o que disseram uns e outros... Garanto que não é nada agradável... Em fim... é a vida....


Quem leu "O Vermelho e o Negro" de Standhal, autor francês que também inspirou Machado de Assis, teve a oportunidade de deparar-se com um personagem que não se encaixa nesses padrões estigmatizados de amor e que o nosso senso arbitrário desaprova. Homens e mulheres  assumem para si papéis padrões de comportamento de gênero e quem não se encaixa nesses padrões de comportamento de gênero pode tornar-se covarde, cretino, hipócrita, entre outros. Toda situação de envolvimento humano é particular; como dizem:cada caso é um caso. Não nos perguntamos e não perguntamos ao outro o que se sente, como se sente, o que incomoda, o que não está claro. Agimos, inclusive no que se relaciona ao amor, alienadamente.
Salve a literatura! Salve o romance! A experiência da vida se faz pressentida...se faz viva! Desde que não confundamos literatura, romance com apelação.


Seja como for, e não posso negar que Bob Marley foi um grande camarada, o fato é que ele morreu por teimosia e como todos nós também vivia de opiniões prontas... talvez não tão dependentes delas como vive a maioria de nós, mas vivia como podemos ver.

domingo, 13 de junho de 2010

Revolução ou Soberba?


O “Discovery Channel” apresntou a reportagem de título em português “Vida sintética”. Os cientistas falaram em uma nova revolução, como se falassem de uma revolução filosófica; de uma revolução científica. O que é uma revolução nesse sentido?
Para mim a revolução, no sentido dado, acontece com um Rutherfor, com um Lavoisier. Com Mendelev, criador da tabela períodica, é que as coisas ficam claras. A “revolução tecnológica” se dá com o aprofundamento do conhecimento da Química portanto, que inaugura uma nova era. Revolução de fato, revolução filosófica ou científica se dá com um Leucipo, um Democríto, um Anaxágoras. O caso dos éticos, até onde sei, é falta de imaginação.
Como diria Nietzsche: Depois dos gregos nada de relavante foi inventado; nada de revolucionário. Dupla pretensão dos seguidores ou esses acham que os outros são ingênuos?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mural de Escola contra Revista Semanal de Grande Circulação

“(...) Todo filosofar moderno está política e policialmente limitado à aparência erudita, por governos, igrejas, academias, costumes, modas, covardias dos homens: ele permanece no suspiro: 'mas se...', ou no reconhecimento: ' era uma vez...”. A filosofia não tem direitos; por isso o homem moderno, se pelo menos fosse corajoso e consciencioso, teria de repudiá-la e bani-la, talvez com palavras semelhantes às com que Platão expulsou os poetas trágicos de seu Estado. Sem dúvida restaria a ela uma réplica, com também restou àqueles poetas trágicos uma réplica contra Platão. Ela poderia talvez, se a obrigassem a falar, dizer: 'Povo miserável! É culpa minha se em vosso meio vagueio como uma cigana nos campos e tenho de me esconder e disfarçar, como se fosse eu a pecadora e vós meus juízes? Vede minha irmã, a arte! Ela está como eu: caímos entre bárbaros e não sabemos mais nos salvar. Aqui nos falta, é verdade, justa causa: mas os juízes diante dos quais encontraremos justiça têm também jurisdição sobre vós e vos dirão: – Tende antes uma civilização, e então ficareis sabendo vós também o que a filosofia quer e pode' ”.
(Nietzche; Friedrich. A Filosofia na Época Trágica dos Gregos, Col. Os Pensadores – XXXII, Abril Cultural, p.40, 1974)


          No mural da escola cabem todos os temas, segundo uma certa extensão do valor que convencionamos cumprir para a palavra “todos” nesta sentença. Não se pode negar que alguns são interditos na medida em que a atitude imediata assim os tomam. Fundamentada no que justifica o apelo contumaz à uma pequenez generalizada da nossa humanidade na qual ninguém acredita, mas todos afirmam; a atitude imediata institui o que podemos chamar de “humanismo fascista”; um humanismo com características fascistas. Não se trata de um oximoro. Trata-se do complexo que molda instituições sociais antisociais e conduz o desejo de nada da escola a escala de ideal objetivado.

          Coloco a questão do mural e dos temas como uma tentativa de chamar a atenção a essas re-conduções também feitas e garantidas pela escola a um “fascismo atenuado pós-moderno”. Coisa de “filosófo”...? Uma alegação como essa é acertadíssima, mesmo que não se diga na cara que se trata de um medíocre. Tudo bem... Dane-se filósofos e suas filosofias... nesse sentido. Pois, qual conceito nos trás a inovação? O que vai nos salvar; aplacar esse nosso desespero? Culpar o outro? Culpar o aluno que frequenta a escola inclusiva? Culpar o colega professor que não aguenta mais tentar vencer a ignorância alheia no limite da ignorância instalada socialmente, ao mesmo tempo em que ele constrói a sua própria acerca do conhecimento que ele objetiva construir? Culpar pais e responsáveis pela ignorância que assumiram quando quebraram-lhes as pernas do desejo de serem “alguém na vida”?

          Sem dúvida são todas as questões anteriores, questões que se podem fazer. É a partir não só do botequim; no qual consumimos estupefacientes a preços nada módicos, mas também no qual socializamos e produzimos outras relações sociais e onde outras questões surgem direta ou indiretamente e que talvez sejam tão “interessantes” quanto. Na igreja ou outro centro religioso... também? Confesso que não frequento e o contato que tenho com esses grupos é bastante indireto. Pensando na qualidade e no conteúdo desse contato, contudo, não espero também algo que não seja um outro tipo de re-condução como a que a escola faz. Seja como for aí está, parece, toda contra-cultura. Não é a escola... Não são as comunidades que lhe são afetas que serão capazes de instituir a sociedade da liberdade, igualdade e fraternidade ou algo que valha mais. A “escola”, contudo; imprescindível, é a única capaz de transpor a miséria humana. Não há outra instituição capaz. Não marginalizando nem à margem.

          Caberia perguntar se existe algum paradigma? Ou melhor: Quais são os paradigmas? A partir da Comuna de Paris? Da sociedade estadunidense ou das orientais? Da Alemanha? Da Inglaterra? Das sociedades Pré-Colombianas? Da sugerida no filme “Avatar”? Orientações... Paradigmas de fato sofrem todo tipo de crítica. Critica do intelectual. Critica do artista. Critica dos líderes religiosos. Critica dos filósofos... Os filósofos aí também são críticos?! Suspensão e suspeição da crítica aí procedem? De fato há uma crise? Utopias de uns e outros. Descaso com uns e outros. Medíocre ou não um conceito como humanismo fascista, pelo menos para mim, perpassa a todos e a todos se pode imputar. Gestar críticas é uma coisa. Gestar críticas que determinam procedimentos inócuos ou até perniciosos na medida em que sufocam a socialização e instalam uma agregação fundada na desconfiança do outro; na mácula do outro; no ódio ao outro...

          Em nada aqui inovo, com certeza. Não há aqui nenhum altruísmo. Nenhum olhar “Histórico” relevante. Aqui e agora... para aqui e agora também... somente o eterno retorno do mesmo: Um fascismo pós-moderno atenuado. O eterno retorno do diferente... para este... todos cerram os olhos!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"VII
"A vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que desviam a teoria para o misticismo encontram a sua solução racional na prática humana e na compreensão desta prática.
"XIX
"O máximo a que chega o materialismo perceptivo, isto é, o materialismo que não concebe a sensibilidade como uma atividade prática, é a percepção dos diferentes indivíduos isolados da 'sociedade civil'."
"X
"O ponto-de-vista do antigo materialismo é a sociedade 'civil'; o do novo materialismo a sociedade humana e a humanidade socializada.
(Marx; Karl. Teses sobre Feuerbach)


Desse modo, numa prática humana e compreendendo esta prática como prática humana de todos para todos


"XI
"Os filósofos não fizeram mais que interpretar o mundo de forma diferente, trata-se porém de modificá-lo."
(Marx; Karl. Teses sobre Feuerbach)

terça-feira, 23 de março de 2010

Do Simples numa Lógica Dialética

Entre uma tese 
E uma síntese
Há uma antítese...
Disse o Nietzsche que
"O simples não é o primeiro
Nem o último na ordem das coisas".
Sendo assim
Todo o singular é efêmero
E aí coincide?

(Para pensar o senso comum e o bom senso)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Comunicar será que ajuda?



Um relógio pode ser analógico ou digital. Ele é analógico quando para estabelecer um certo "tempo" se vale de ponteiros e uma base circular na qual estão marcadas as horas e os minutos. Assim, quando o ponteiro menor e o maior apontam para o número doze sabemos ou que se trata do meio do dia ou do meio da noite. Daí a analogia entre os ponteiros e os números. Na falta de ponteiros ou de números dispostos a um encontro não se pode marcar horas ou minutos neste tipo de relógio. Digital quando apenas números marcam as horas, ou seja, basta olhar para o relógio para sabermos a hora. Os "dígitos" simplesmente informam: 12:00 ou 24:30, por exemplo. Temos obviamente aqui um sistema de comunicação com duas características possíveis: Analógico e digital.
Qual a relação desse aspecto com a linguagem? As línguas são sistemas discretos, ou seja, uma língua é um sistemas de pré-convenções. Um significante sonoro ou escrito se faz sentir com determinada intensidade em função da experiência do falante com o significado estabelecido, daí ser ele discreto. "Der Vin ist sauher": O que significa essa frase? Para um alemão não deve ser difícil decifrar.
Ícones são também sistemas de comunicação, porém, já revelados. O desenho de uma carinha sorrindo não deixa dúvidas de se tratar de felicidade seja para um alemão, seja para um português, para um chinês. O sistema de ícones e símbolos atualmente são largamente usados em plataformas de interface de computadores. Assim quando atentamos para a barra de tarefas de vários programas de computadores podemos notar lá uma tela de computador sobreposta a outra que mudam as cores de seus fundos comunicando que dados estão sendo enviados e recebidos. Muitos outros ícones há que comunicam muitas outras funções ou utilidades no mesmo sentido do exemplo anterior.
Qual o propósito do que antes foi dito? Clareza! Isto mesmo clareza! A quem exija que sejamos claros, mas que não estão dispostos a serem claros. Não falo aqui de gramática até porque estas vão e vêm, restando àquele que quer comunicar estar atento às regras e princípios da língua da qual lança mão; no mínimo. Falo antes de um modo de ser típico de quem tem uma opinião formada e estabelecida baseada em afetos e pressupostos "a priori", obviamente descuidado daquilo ou da pessoa à qual se faz a critica. Em fim.... Fosse outra a situação não prevaleceria o aspecto conotativo, mas o denotativo. Assim uma tese é possível sobre a linguagem: Toda interpretação vicária resolve-se pelo afeto implantado escusamente no indivíduo,  ficando o aspecto comunicativo em segundo plano, quando fica... O que de fato sente; ou o que naturalmente sente, é desprezado.
Não é a primeira vez, não é a última que não consigo me comunicar... comunhão inglória.


Aliás, na expressão do poema que segue:

"Todo Deus sensato
Odeia
O crescimento intempestivo."

Holderllin